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| :: Fauna :: A fauna deve ser dividida entre fauna silvestre e doméstica. Em termos de mamíferos a fauna timorense pode ser considerada bastante pobre, tendo em atenção que a área está incluída na província malaia da região australiana. Existem então cervos, denominados veados em Timor, porcos selvagens, macacos (macaca fascicularis), lacos ou marta-das-palmeiras, medas, o único mamífero metatério existente em Timor, várias espécies de ratos e morcegos. Os mamíferos domésticos são os búfalos domésticos e o banteng ou balinês. Existiu em reduzido número o bovino europeu. Há ainda cavalos, os poneys timorenses, porcos, carneiros, cabras. Quanto às aves, apesar de se verem poucos pássaros actualmente, a avifauna timorense é rica. Em 1932, na sequência de um estudo do Professor Stresemann, do Museu de Berlim, foram adicionadas às 144 espécies e subespécies conhecidas, mais vinte e cinco, elevando assim o número de entidades ornitológicas (aves) conhecidas para 169. Quanto às aves domésticas, são fundamentalmente representadas pela galinha doméstica, patos e pombos. Dentro dos répteis encontramos crocodilos, jibóias, a cobra-verde, e vários lagartos, merecendo especial atenção, o toquê, cuja denominação é onomatopaica, ou seja, resultante dos gritos que este animal emite. O BÚFALO O búfalo ou carbau tem um papel multifacetado para a sociedade Timorense. É um animal de trabalho, utilizado no piso das várzeas de arroz inundadas. Mas é também um animal de sacrifício nas cerimónias sagradas ou profanas: festejos, ritos propiciatórios agrícolas e ritos mortuários. À excepção destas alturas, não se retiram animais às manadas: os abates anuais representam cerca de dois por cento do total da espécie. Por último, a posse de búfalos é entendida como um sinal de riqueza, tornando-se uma medida para o prestígio do seu dono. Respeitam uma concepção religiosa, segundo a qual, o universo é tripartido. Assim, o corpo do telhado envolve o mundo dos espíritos dos antepassados, a zona de residência, o mundo dos vivos e a zona abaixo do sobrado, o dos espíritos da Natureza que são por norma atribuídos aos animais. É usado nas trocas matrimoniais, constituindo parte das prestações masculinas, no pagamento dos dotes matrimoniais ou barlaque. Dos seus cornos são feitos inúmeros objectos, em muitos casos, simbolizando o crescente lunar. Em algumas etnias, como as de Viqueque, as casas, fazem lembrar os cornos do búfalo. Está associado ao crocodilo, que o trouxe de além-mar, logo, com os mitos de origem dos timorenses e da terra. Está, também, na origem dos nomes de alguns lugares. O CROCODILO É um animal sagrado (lulik), sendo considerado pelos timorenses como antepassado, daí o nome de avô, bei-nai. É o senhor das águas, o we-nai. Segundo o mito de origem, é considerado o responsável pelo povoamento de Timor. Povoa as ribeiras e o mar por toda a ilha, no entanto, na costa sul é possível encontrar crocodilos em maior número. Apesar de ser temido, não é visto como maléfico. Aliás, os timorenses acreditam que se a pessoa estiver bem com a sua consciência, nada tem a temer deste animal. Muito utilizado na representação figurativa artística, tem um simbolismo sem equivalente em Timor. A SERPENTE Este animal participa, juntamente com o crocodilo, nos mitos de origem e nos ritos de passagem. O mundo Timorense é tripartido entre as divindades celestes, os antepassados e as divindades infra-terrestres. Para os timorenses, a serpente (samean), é o primeiro animal com significado simbólico e activo na sua espiritualidade anímica, sendo o seu domínio a terra, ou seja, o mundo inferior. A samean é vista como agente transcendente de justiça, e símbolo da fertilidade, sendo-lhe oferecidos inúmeros os sacrifícios, especialmente na altura das sementeiras. A serpente-píton (Pithon recticulatus) é denominada Sameanboot, quando come veados ou cabritos, ou Aca quando come homens. Também lhe chamam Foho-rai, que traduzido à letra significa montanha-altar da terra: é a serpente de ouro que em alturas críticas se transforma em homem, como nos mitos das guerras de Wehali e Likusai. Nana, de Lautem, representada com sete cabeças, a quem são atribuídos poderes levitativos, quando associada ao arco-íris. O CÃO O cão (asu) é o amigo da casa e companheiro indispensável nas caçadas ao veado e ao porco bravo. Nestas caçadas eram espalhados em matilhas seguindo-se a perseguição. Em todo o Timor é possível observar estes animais que os timorenses dizem ser tão magros como os donos. Tal como o galo, é uma vítima privilegiada nos sacrifícios e ritos de aliança e adivinhação. Tem um lugar de relevo na simbologia Timorense pelas suas qualidades de ligeireza são comparados aos guerreiros, os asu-wain (pernas de cão). Podem igualmente simbolizar a alma dos falecidos, encontrando-se por isso muitas vezes representados em panos mortuários. O VEADO Outrora muito numerosos, hoje são animais raros de encontrar. Existem nas zonas montanhosas de quase todo o Timor. A caça aos veados era pretexto para a colectividade se juntar, existindo várias formas de caçar veados: com laços, cães, azagaias ou perseguição a cavalo. Quando são malhados, são considerados como veículo para a alma penada de assassinos e criminosos. O GALO O galo timorense partilha do significado que o galo possui em todo o sudeste asiático, como anunciador de acontecimentos e oráculo. Possuir um galo é como um rito de passagem: confere ao seu dono atributos de força, coragem e fertilidade. É o animal preferido, juntamente com o cão, nos ritos adivinhatórios e nos sacrifícios. Desde há muitos anos que a luta de galos é o desporto número um em Timor. Selvagem ou domesticado, quando o galo se destina ao combate é submetido a um treino intenso, ao mesmo tempo que tem um tratamento especial: vive dentro de casa onde faz o seu poleiro, compartilhando o espaço com o seu dono, e é carregado ao colo, ou debaixo do braço para todo o lado, com todo o carinho. Dá-se-lhe também um nome, que é utilizado para o chamar durante as lutas. No começo dos torneios é atada uma lâmina a uma pata, armando-o assim para a luta. O PEIXE Apesar de os timorenses não serem um povo muito ao mar, as populações do litoral, especialmente na costa norte, dedicam-se à pesca. Como acontece com outros animais, alguns peixes não podem ser comidos por alguns clãs, no entanto, são pescados e vendidos. Em alguns mitos, o peixe é associado ao homem, como por exemplo incarnando numa mulher que se torna mãe de uma linhagem, ou seja, identificam-se com os antepassados. Outros animais marinhos, como a enguia ou o camarão de água doce representam os espíritos das águas e o seu consumo pode significar a secagem das fontes. O CAVALO O pequeno cavalo Timorense é o animal de transporte e de carga, sendo o melhor se adapta ao relevo acidentado de Timor. A sua presença em Timor deve-se aos comerciantes de sândalo que o usaram como objecto de troca foi importado primeiramente para a Indonésia por comerciantes chineses e hindus. Sendo um cavalo pequeno, é denominado poney timorense. Em termos sócio-religiosos não é tão importante como outros animais, tendo no entanto um papel importante nos ritos fúnebres de pessoas importantes, em que este seguia o morto, sendo inúmeras vezes imolado para que servisse de montada à alma até à terra dos antepassados. Na iconografia, a alma dos mortos é representada por um pássaro, o córilili ou o tirlolo, ou por um galo que poisa no dorso do cavalo. Associado ao búfalo, simboliza ao mesmo tempo as energias do mundo subterrâneo e o vento. No que toca às trocas matrimoniais faz parte das contribuições masculinas. |
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